Tomara, que neste exato momento, esteja lhe faltando uma parte. Não quero de você tristeza ou remorso, apenas a ausência sentida desta parte, que talvez lhe fosse inútil.
Por motivos de educação acho justo informar que também sinto falta da minha parte. E é só isso que eu desejo, a reciprocidade da ausência. Não para nos juntar novamente, imagine... aprendi a me resignar com os destinos que a vida toma... Eu só quero que ainda não se esqueça das minhas mãos que já correram o seu corpo, e da sua voz que me fazia perder o ar dos pulmões.
Não sinto mais sua falta, sinto falta daquela antiga química escondida nos nossos sorrisos, sinto falta da sua parte boa que ficou comigo, e é só isso que eu quero de você. Que a sua boca e seu pescoço e seu corpo lembrem da minha boca, que sussurrava inúmeros desejos. Que os seus poros evidenciem a falta do meu cheiro entranhado. Porque é difícil!
É difícil deixar você ir por inteiro... Talvez, se isso fosse recíproco, nós entraríamos num acordo silencioso de nos esquecermos. Ai seria fácil. Porque eu saberia que também está sendo difícil para você. Ou talvez tudo isso seja uma desculpa para continuarmos presos um ao outro. Porque é difícil... porque ainda é difícil.
domingo, 19 de janeiro de 2014
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Re
Aprende a andar novamente, e vem
Ressuscita em ti o gosto dos meus lábios
O caminho do meu corpo...
Sente aquele nosso velho lugar
E nossas velhas histórias ali borradas,
Readapte meu ouvido à brandura da tua voz,
E dos poemas sussurrados em outros dias...
Aprende a amar novamente e vem
Renasce, ressuscita-me
Reama-me.
Ressuscita em ti o gosto dos meus lábios
O caminho do meu corpo...
Sente aquele nosso velho lugar
E nossas velhas histórias ali borradas,
Readapte meu ouvido à brandura da tua voz,
E dos poemas sussurrados em outros dias...
Aprende a amar novamente e vem
Renasce, ressuscita-me
Reama-me.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Pelo direito de poetizar livremente
isso é
p-o-e-s-i-a!
de versos versados
e rimas rimadas!
po
e
si
a
poesia que jogo
em papéis
que deixo ao relento
poesia de um eu
que morre
tão efêmero quanto
o vento
poe
sia
poetizo como me apraz!
poetizo do jeito que me satisfaz
poetizo livremente!
poe-sia
se não é de ninguém,
que é alguém
para me dizer como
poetizar?
po-e-si-a
se não é de ninguém
quem é alguém
para calar
meus versos tão ardentes?
minha, tua
nossa
poe-sia
poetizo como me apraz!
poetizo do jeito que me satisfaz
poetizo
livremente!
p-o-e-s-i-a!
de versos versados
e rimas rimadas!
po
e
si
a
poesia que jogo
em papéis
que deixo ao relento
poesia de um eu
que morre
tão efêmero quanto
o vento
poe
sia
poetizo como me apraz!
poetizo do jeito que me satisfaz
poetizo livremente!
poe-sia
se não é de ninguém,
que é alguém
para me dizer como
poetizar?
po-e-si-a
se não é de ninguém
quem é alguém
para calar
meus versos tão ardentes?
minha, tua
nossa
poe-sia
poetizo como me apraz!
poetizo do jeito que me satisfaz
poetizo
livremente!
sábado, 18 de maio de 2013
Confusão das figuras que habitam o meu coração
De longe, no lindo jardim
Seres ritmados vão compondo uma melodia de fulgor sem fim...
Bocas badalam,
Mãos dedilham e viajam sem direção, de repente
Quase tocam e arrebatam a incapaz emoção
Bailarinas vão saltando ao soar doce
Que de vez a melodia faz...
Mas ah! Quando rápida e desritmada fica,
Ah, quanto prazer me traz!
Tudo corre
É mistério, é intenso, profundo e
Breve
Me enlouquece, e se esvai...
Passando um véu sobre tudo isso,
Uma virgem moça atraente caminhando vai,
Tudo é calma, e os sonhos daquela
Saem na tentativa de apaziguar...
Nem desse modo, os habitantes de meu peito aquietam-se;
Estão agora a rasgar o véu, a rir, caçoar
E a convidar a pobre virgem a valsar...
Assim, batucando, rindo, cantando
Figuras habitantes vão compondo mais um som para a louca canção,
Fazendo temer, vibrar, enlouquecer e amar
Tudo que há em meu coração
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Aos senhores (e senhoras) que passam por mim
Por favor, senhores
Ajudem-me pois tenho fome...
Já vi passar de tudo nesta rua,
Mas nenhuma alma boa me deu o que comer
Aliás, uma vez me deram desprezo
Mas amarga muito na boca
Engoli rapidamente, e não sacia
Por favor, senhores
Ajudem-me
Pois tenho fome de poesia!
Tenho fome dos dias antigos
das moças bem vestidas
dos homens galantes
das músicas que se ouvia a toda hora
Tenho fome das histórias que vi, que li
Tenho fome de mais histórias
de mais bons escritores
Ajudem-me, senhores
Não tenho fome apenas de poesia,
Tenho fome também dos dias antigos
Tenho fome principalmente da fantasia.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Silêncio
Quem sou eu para calar a boca do mundo?
Desse mundo que só vomita merda em meu ouvido.
Quem sou eu para calar alguém com meus argumentos infindos?
É por isso, senhores
Que hoje guardo minha saliva
E o meu verbo.
Deixo que me calem,
E me calo.
Mas nunca hei de escutá-los também...
E mesmo que a manta da submissão
Caia falsamente sobre mim,
A paciência e a liberdade do pensar
São coisas que eu sempre terei.
Desse mundo que só vomita merda em meu ouvido.
Quem sou eu para calar alguém com meus argumentos infindos?
É por isso, senhores
Que hoje guardo minha saliva
E o meu verbo.
Deixo que me calem,
E me calo.
Mas nunca hei de escutá-los também...
E mesmo que a manta da submissão
Caia falsamente sobre mim,
A paciência e a liberdade do pensar
São coisas que eu sempre terei.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Poesia Pura
Meus pés já não me aguentam.
A mulher que sou eu
Equilibra-se como pode,
Quase sempre quase caindo
Meu ser já não aguenta o chão
E toda essa patética vida.
Quero morrer
Quem sabe eu renasça
Poesia pura!?
Sem precisar explicar, escrever
Falar
Sem precisar aguentar essa falta de espaço
E esse espaço que não me aguenta.
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