quinta-feira, 31 de julho de 2014

Livro ao vento

Foi-se um livro ao vento,
As folhas soltaram,
Palavras vagaram sem direção.
Um livro ao vento,
Caiu do colo de sua fiel amante,
Para instantes de libertação.

Ah! Deus, por que este tormento?
Por que tamanha aflição?
Desde este sofrido momento,
Minha amada é só lamento!
E não sei mais o que fazer
para aliviar seu coração.

Foi-se um livro ao vento,
Por onde anda? Queria eu saber!
Queria eu encontrá-lo ao relento,
Entregá-lo à minha amada já tão cansada de sofrer!

Livro ao vento,
Suas palavras já se misturam à multidão.
Livro ao vento,
Talvez  agora só exista
No coração daquela
Em que foi romance,
Prazer, súbita paixão.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

  Seus lábios agradaram os meus, pude sentir no primeiro momento em que se tocaram. Foi como uma onda que quebra e volta pra plenitude do mar. Ah, foi assim mesmo e não encontro melhor comparação! Meus lábios andavam aflitos, andavam tentando esquecer tantas coisas que lhe ocorreram... mas beijar seus lábios... beijar seus lábios foi como boiar numa praia deserta.
  Levo ainda seus lábios nos meus. Não por paixão, nem ao menos um amor repentino, mas como certeza e lembrança de que existem belezas infindas em coisas tão pequenas...


Sobre teus lábios.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sobre perten(ser)

Tua
Na parte que te compete
 Na parte que me remeto a ti

Tua quando as bocas se tocam,
As mãos se confundem
 E os suspiros viram coro

Meu
Na parte que me compete
Na parte que te remetes a mim

Meu quando as bocas se tocam,
As mãos se confundem
E os suspiros viram coro

E além disso,
E depois disso:
Minha

E depois disso,
E além disso:
Teu

domingo, 19 de janeiro de 2014

   Tomara, que neste exato momento, esteja lhe faltando uma parte. Não quero de você tristeza ou remorso, apenas a ausência sentida desta parte, que talvez lhe fosse inútil.
    Por motivos de educação acho justo informar que também sinto falta da minha parte. E é só isso que eu desejo, a reciprocidade da ausência. Não para nos juntar novamente, imagine... aprendi a me resignar com os destinos que a vida toma... Eu só quero que ainda não se esqueça das minhas mãos que já correram o seu corpo, e da sua voz que me fazia perder o ar dos pulmões.
    Não sinto mais sua falta, sinto falta daquela antiga química escondida nos nossos sorrisos, sinto falta da sua parte boa que ficou comigo, e é só isso que eu quero de você. Que a sua boca e seu pescoço e seu corpo lembrem da minha boca, que sussurrava inúmeros desejos. Que os seus poros evidenciem a falta do meu cheiro entranhado. Porque é difícil!
     É difícil deixar você ir por inteiro... Talvez, se isso fosse recíproco, nós entraríamos num acordo silencioso de nos esquecermos. Ai seria fácil. Porque eu saberia que também está sendo difícil para você. Ou talvez tudo isso seja uma desculpa para continuarmos presos um ao outro. Porque é difícil... porque ainda é difícil.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Re

Aprende a andar novamente, e vem
Ressuscita em ti o gosto dos meus lábios
O caminho do meu corpo...

Sente aquele nosso velho lugar
E nossas velhas histórias ali borradas,
Readapte meu ouvido à brandura da tua voz,
E dos poemas sussurrados em outros dias...

Aprende a amar novamente e vem
Renasce, ressuscita-me
Reama-me.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Pelo direito de poetizar livremente

isso é
p-o-e-s-i-a!

de versos versados
e rimas rimadas!

po
e 
si
a

poesia que jogo
em papéis
que deixo ao relento

poesia de um eu
que morre 
tão efêmero quanto
o vento

poe
sia

poetizo como me apraz!
poetizo do jeito que me satisfaz
poetizo livremente!

poe-sia

se não é de ninguém,
que é alguém
para me dizer como
poetizar?

po-e-si-a

se não é de ninguém
quem é alguém
para calar 
meus versos tão ardentes?

minha, tua
nossa

poe-sia


poetizo como me apraz!
poetizo do jeito que me satisfaz
poetizo 
livremente!

sábado, 18 de maio de 2013

Confusão das figuras que habitam o meu coração


De longe, no lindo jardim
Seres ritmados vão compondo uma melodia de fulgor sem fim...
Bocas badalam,
Mãos dedilham e viajam sem direção, de repente
Quase tocam e arrebatam a incapaz emoção


Bailarinas vão saltando ao soar doce 
Que de vez a melodia faz...
Mas ah! Quando rápida e desritmada fica,
Ah, quanto prazer me traz!


Tudo corre 
É mistério, é intenso, profundo e
Breve
Me enlouquece, e se esvai...


Passando um véu sobre tudo isso,
Uma virgem moça atraente caminhando vai,
Tudo é calma, e os sonhos daquela
Saem na tentativa de apaziguar...


Nem desse modo, os habitantes de meu peito aquietam-se;
Estão agora a rasgar o véu, a rir, caçoar
E a convidar a pobre virgem a valsar...


Assim, batucando, rindo, cantando
Figuras habitantes vão compondo mais um som para a louca canção,
Fazendo temer, vibrar, enlouquecer e amar
Tudo que há em meu coração